Mensagem 011  

Foi tão rápido. Em breves instantes e mais uma etapa estava encerrada. Parei, como se tivesse acabado de subir uma escada muito alta. Respirei fundo, o coração acelerado, tentava colocar as idéias ordenadas, mas tudo parecia confuso. Olhei em volta, parecia conhecer onde estava, era familiar e pensei, estou de volta, e agora?

Passou tão depressa que naquele momento eu não consegui avaliar nada. Fiquei parado, estático, parecia dormir, mas a mente estava alerta. Sabia onde estava, quem eu era e porque voltara, mas faltava ordem no pensamento. Não via ninguém, era hora do “eu”, “comigo”. Não havia cobranças, nem reclamações, nem lamentos. Sequer ouvia o barulho do vento que eu sabia soprava ao longe. Nem um canto de pássaro, nem o borbulhar de águas. Só eu, para dentro de mim mesmo, tentando desvendar meus próprios questionamentos.

Mas parece que foi ontem. Parti para mais uma batalha de mim para comigo. Em local desconhecido, onde o “eu” criança iria conhecer, o “eu” jovem iria desbravar, o “eu” homem iria conquistar e o “ego” experiente iria devolver todas as conquistas antes de partir.  Tinha que devolver, disso eu sabia, se quisesse voltar para onde vim. Pois sabia que só entraria com as experiências e algumas feridas. O “ego” adormeceria, o “eu” superaria, e eu me perguntava, até quando?

Toda vez que tentava o caminho de volta, o “ego” despertava e o “eu” adormecia, e as coisas ficavam sempre mais difíceis por conta dessa inversão. Mas era necessário, eu sabia,  pois cada vez mais que ele despertava, sua força parecia diminuir. Mas só quando eu voltava é que assim percebia, pois o “ego”, desperto, não nos permite perceber nada mais além dele, de suas necessidades e de suas conquistas.

Cada vez que descemos as escadas, de volta, não percebemos que somos domadores de feras.  O “ego” desperta para ser domado e o “eu” adormece para ser acordado. Conforme descemos os degraus dessa escada, esquecemos os sentidos do “eu” e só recordamos  os sentidos do “ego”. A fera em nós desperta e através dos seus cinco sentidos busca sobreviver.

Aqueles que conseguem não se esquecer dos sentidos do “eu” e  mantém  o seu “ego” limitado a um espaço pequeno, não sofrem as atrozes dores advindas dos sentidos do “ego”. E para nós que não domamos esse “ego”, fica difícil compreender como é possível controlar o que para nós são forças muito aquém do controle dos cinco sentidos limitados do “ego”. O “ego” subjuga, o “eu” é uma conquista.

Por isso, cada vez que subo as escadas, me sinto confuso. Sinto falta do “ego” que começa a adormecer. Sinto necessidade de ver as coisas limitadas, e um mundo de novos sentidos se abre para mim. Outra vez eu sinto essa necessidade de expandir tudo que reprimi quando desci as escadas para conquistar.

Fico tonto e atordoado ao voltar, porque ainda, para mim, o instinto da fera está longe de ser domado, e necessito cada vez mais empenho, não para subjugar, mas para compreender, conviver e equilibrar em mim todos os sentidos, ressaltando a importância que cada um tem, em cada etapa da evolução, a cada vez em que for preciso descer os degraus desta escada em busca da evolução , do controle, e principalmente do conhecimento de cada sentido. E, cada vez mais, ao descer, saber que o meu “ego” estará sob o controle do “eu”, o que me permitirá expandir cada vez mais o meu ser espiritual, de forma plena e completa, tornando-me merecedor de descer os degraus da evolução com mais consciência e felicidade, a outros planos, onde o entendimento do “eu” é pleno, onde o “ego” adormecerá de vez, onde as oportunidades serão ilimitadas, dentro de uma consciência plena e feliz.

   Iehmad  

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